A Masculinidade nos EUA

A Masculinidade nos EUA

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A Masculinidade nos EUA

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O que faz um homem ser homem, e uma mulher ser mulher? Sob o ponto de vista construtivista, entende-se que o gênero é criado socialmente. É certo que os indivíduos nascem com determinadas características biológicas que os tornam machos ou fêmeas. No entanto, é no âmbito do social que eles irão aprender a ser homens ou mulheres. O que ocorrerá a partir da assimilação de comportamentos tidos, cultural e socialmente, como masculinos ou femininos. O gênero (construído) é um conjunto de vários aspectos, atributos e atitudes que são dotados de significado.

Vamos tomar como exemplo o caso da masculinidade. Nas ciências humanas, especialmente na antropologia, há o consenso de a masculinidade: a) varia conforme a cultura; b) varia com o tempo dentro de uma mesma cultura; c) varia entre os homens dentro de uma mesma cultura; e, d) varia entre as diferentes fases do desenvolvimento individual de um homem. E ainda há o consenso de que a masculinidade seja criada sobre desigualdades: de sexo, idade, etnia, etc. Ou seja, a constituição de gênero se dá sobre aspectos em constante variação. Em cada sociedade e em cada época existem modelos do que seja “ser homem”, por exemplo.

Michael S. Kimmel, em seu livro “Manhood in America (1996)”, faz uma interessante classificação dos vários tipos de masculinidades criados nos Estados Unidos. Segundo o autor, no final do século XVIII existia o modelo de masculinidade do Patriarca Gentil. A sua identidade se baseava na posse de terra, o cuidado de seus domínios, a afeição com sua família, cordialidade, elegância e uma certa sensualidade. Aspectos que podem ser visualizados nas figuras históricas de George Washington e Thomas Jefferson.

Na mesma época, e em contraste ao Patriarca Gentil, Kimmel identifica o modelo de masculinidade do Artesão Heróico. Suas características são: ter força física; ser um artesão independente e urbano; e, ser dono de seu próprio negócio. Segundo o autor, em seguida, na primeira metade do século XIX, surgiu um novo modelo de masculinidade: a do Self-Made Man. Nesse caso, a masculinidade deveria ser demonstrada no mercado econômico. Ilustra esse modelo o homem de negócios, e o empresário urbano que se fez pelas próprias forças. Ele tem pouco tempo de convívio familiar, mostra sua ascensão (e masculinidade) na aquisição vultosa de bens e, “vive” tentando provar sua capacidade, sucesso e ascensão.

Na minha opinião, podemos refletir que nesse processo está a oposição entre winner e loser. Ou seja, ser um vencedor significa acrescentar mais um aspecto à imagem masculina do indivíduo. Nesse caso, é ser “mais homem”. Ao contrário, o loser é o perdedor, o fraco, o “menos homem”. Sendo assim, a masculinidade também é criada e demonstrada a partir da oposição com o “outro”. Esse “outro” pode ser tanto o perdedor, como as mulheres, os gays, as etnias diferentes e os indivíduos com estilos de vida diversos.

No contexto urbano dos dias atuais, há o convívio simultâneo de diferentes modelos de masculinidade. Por exemplo, ser um homem empresário significa cultivar uma série de atitudes desse grupo de homens. Ser um homem trabalhador braçal em construções, significa cultivar outras atitudes que o tornam masculino. E, ser um homem no circuito artístico, o condiciona a cultivar outras atitudes entendidas como masculinas. Todos são homens e masculinos dentro de seus respectivos grupos.

Contemporaneamente surgiu um novo modelo de masculinidade: o metrossexual. Não é um modelo hegemônico, vindo a conviver com outros modelos. O homem metrossexual é caracterizado, basicamente, por ter um grande cuidado com sua aparência. Geralmente são de classe média e alta, o que possibilita que gastem muito dinheiro com produtos de beleza destinados a homens. Aliás, o surgimento desse novo tipo de comportamento suscitou o crescimento do mercado voltado a esse tipo de consumidor.

Novos modelos irão surgir. Devemos estar cientes da fluidez com que eles são criados e cultivados. Atitudes preconceituosas e de discriminação, em muito estão atreladas à afirmação de uma masculinidade. Principalmente aquelas atitudes voltadas contra mulheres, gays e etnias diversas. Os modelos de gênero, tanto masculinos como femininos, existem em todas as sociedades. O problema surge quando esses modelos sufocam os indivíduos rotulados como “diferentes”.

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